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domingo, 11 de março de 2012

Giordano Bruno e sua filosofia...

Giordano Bruno (1548 - 1600)


Para Bruno o universo é constituído de um único corpo, mas as coisas singulares são ordenadas com precisão e estão conectadas com todas as outras coisas. O que fundamenta essa organização são as ideias, que são princípios eternos e imutáveis. Cada coisa particular é uma imitação, uma imagem ou a sombra da realidade ideal que a orienta. Nossa mente também segue essa estruturação universal e nossas ideias não são eternas e imutáveis, mas são o reflexo, o vulto das ideias que não se alteram.
Mesmo nossas ideias sendo a sombra de algo imutável, através delas podemos chegar ao verdadeiro conhecimento se encontrarmos um método que consiga assimilar e compreender a complexidade da realidade. Esse método tem que ter a capacidade de entender essa estrutura universal ideal que sustenta todo universo.
Para Giordano o método para entender a unicidade e a multiplicidade do universo é a memória. A memória nos permite impedir que nossa mente se confunda com o grande número de coisas que existem no universo e com os conceitos e representações dessas coisas. Essas representações são sombras das ideias divinas e a memória serve para fixar em nossa mente essas imagens. Através de exercícios de memória podemos colocar em nossa mente um grande número de reflexos das coisas e das ideias divinas, o que torna mais sólida nossa capacidade intelectiva e mais eficaz nossa ação sobre o mundo. Para atingir esses objetivo é que Giordano Bruno foi grande estudioso e professor de mnemônica, que é o estudo de técnicas para facilitar a memorização.
Bruno sustenta ainda que o universo é infinito, e como infinito não tem um centro nem uma circunferência.
Em seus estudos sobre ética Bruno culpa o cristianismo de inverter os valores morais de sua época. O cristianismo tornou a crença sem reflexão em uma sabedoria, a hipocrisia humana em conselho divino, a corrupção da lei natural em piedade religiosa, o estudo em loucura, a honra em riqueza, a dignidade em elegância, a prudência na malícia, a traição na sabedoria e a justiça na tirania.
Para combater essa situação Giordano cria uma escala de valores onde em primeiro lugar está a verdade, em segundo a prudência e em terceiro a sabedoria. Em quarto lugar está a lei, que regula o comportamento das pessoas e na sequência, a força de espírito que é a virtude interior.
Deus, para o filósofo Bruno, não pode ser conhecido pelas suas consequências nem por suas obras, da mesma forma que não podemos conhecer o escultor pela estátua. Não podemos conhecer Deus porque Ele está muito além da nossa capacidade intelectiva. O caminho mais digno para nos aproximarmos de Deus é através da sua revelação.
Mas Deus como objeto de estudos da filosofia, é a própria natureza. E como natureza Deus é o motivo e a origem do universo. É motivo porque Ele é que define as coisas que formam o universo. E é origem porque é Ele quem dá a existência para as coisas do universo. Deus é o intelecto universal que anima, serve de base e governa o mundo.
Sentenças:
- Deus é tudo em tudo, mas não em cada parte.
- O tempo tudo tira e tudo dá; tudo transforma e nada destrói.
- Não existe satisfação sem tristeza.
- A poesia não nasce das regras.
- Somos a causa de nós mesmos.
- O universo é uno, infinito e imóvel.
- Os homens mais devotos e santos, um dia foram chamados de asnos.
- Não é a matéria que causa o pensamento, mas o pensamento que causa a matéria.
- O homem não tem limites, e um dia se dará conta disso e será livre, ainda neste mundo.
- O amor torna o velho louco e o jovem sábio.
- A ignorância é a mãe da felicidade.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

DEUSES ou homens? E a Morte!!!

Mitologia entre deuses homens e a morte!!!



Ao lado da preocupação com o enigma da origem, figura para o homem, como grande mistério, a morte

individual, associada ao temor da extinção de todo o povo e mesmo do desaparecimento do universo

inteiro. Para a  Mitologia, a morte não aparece como fato natural, mas como elemento estranho à criação

original, algo que necessita de uma justificação, de uma solução em outro plano de realidade. Três

explicações predominam nas diversas mitologias. Há mitos que falam de um tempo primordial em que a

morte nã o existia e contam como ela sobreveio por efeito de um erro, de castigo ou para evitar a

superpopulação. Outros mitos, geralmente presentes em tradições culturais mais elaboradas, fazem

referência à condição original do homem como ser imortal e habitante de um paraíso terreno, e apresentam

a perda dessa condiçã o e a expulsã o do paraíso como tragédia especificamente humana. Por fim, há o



modelo mítico que vincula a morte à sexualidade e ao nascimento, analogamente às etapas do ciclo de vida

vegetal, e que talvez tenha surgido em povos agrícolas.

A idéia do julgamento dos mortos, sua absolvição ou condenação predominou no antigo

Egito. Conforme descrito no papiro Ani, o coração do morto era levado à presença de Osíris

num dos pratos de uma balança, para que fosse pesado em comparaçã o com o que se

considera justo e verdadeiro: uma pena do deus Maat (simbolizado pela figura de um

avestruz) era posta no outro prato da balança. Os Hebreus, ao contrário, nã o tinham, até o

século II a.C., uma idéia clara a respeito de um julgamento último e seu correspondente

castigo ou recompensa: os escritos do Antigo Testamento mencionam apenas uma existência

ultraterrena num mundo de penumbra (sheol). Similarmente, o pensamento mítico grego,

conforme explicitado por Homero, concebia a morte como uma desintegraçã o, da qual apenas

uma espécie de fantasma (eidolon) descia ao Hades, onde levava uma existê ncia infeliz e

inconsciente. Já os mistérios de Elê usis, ao contrário, prometiam aos iniciados a felicidade

supraterrena, enquanto a filosofia platônica e o orfismo (seguindo, provavelmente, tendências

orientais) anunciavam a reencarnação. Zoroastro (século VI a.C.) falou de Chinvat, uma ponte

a ser atravessada após a morte, larga para os justos e estreita para os perversos, que dela caíam

no inferno. O zoroastrismo posterior elaborou a idéia de prêmio e castigo, de ressurreição dos

mortos e de purificação final dos pecadores.


Os mitos retratam freqüentemente o fim do mundo como uma grande destruição, de natureza

bélica ou cósmica. Antes da destruição, surge um messias ("Ungido") ou salvador, que resgata

os eleitos por Deus. Esse salvador pode ser o próprio ancestral do povo ou fundador da

sociedade, que empreende uma batalha final contra as forças do mal e, após a vitória,

inaugura um novo estágio da criaçã o, um novo céu e uma nova terra. Os mitos da destruição

escatológica manifestaram-se tardiamente, na literatura apocalíptica judaica, que floresceu

entre os séculos II a.C. e II d.C., e deixou sua marca no livro do Apocalipse, atribuído ao

Apóstolo João. Exemplo típico de mito de destruiçã o (embora não no fim dos tempos) são as

narrativas a respeito de grandes inundações. É bastante conhecido o episódio do Antigo

Testamento que descreve um dilúvio e o apresenta como castigo de Deus à humanidade. Esse

tema tem origens mais remotas e provém de Mitos Mesopotâmicos. Em quase todas as

culturas pré-colombianas encontram-se também mitos a respeito de dilúvios.

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